A pressão por rastreabilidade no agronegócio nunca foi tão forte. Ela não vem apenas de consumidores e investidores, vem de Governos, blocos econômicos e instituições multilaterais que estão implementando regulamentos cada vez mais rígidos para garantir que produtos agrícolas sejam livres de desmatamento, violações ambientais e riscos socioeconômicos ao longo de toda a cadeia, incluindo os elos mais difíceis de monitorar: os fornecedores indiretos.
Essa tendência é clara no Brasil, mas ganha dimensão global quando observamos legislações recentes como:
- EUDR – Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento
- Farm to Fork / Green Deal
- Lacey Act (EUA) – reforçado para commodities agrícolas
- Leis de Due Diligence da Alemanha, França e Noruega
- Iniciativas para rastreabilidade de exportação (China, Japão, Emirados Árabes)
- Discussões brasileiras sobre modernização da rastreabilidade bovina e integração ambiental
Todas elas têm algo em comum: a necessidade de comprovação auditável da origem e do histórico socioambiental. Essa comprovação não pode mais depender de documentos declaratórios ou sistemas internos isolados – ela exige digitalização, integração e segurança de dados.
O Cenário Regulatório: O Que Está Efetivamente Mudando
União Europeia – EUDR (2024–2025)
A EU Deforestation Regulation (EUDR) representa a maior mudança regulatória do século para as cadeias agroexportadoras.
Ela exige inicialmente que sete commodities (incluindo carne bovina, cacau, café, soja, madeira, borracha e óleo de palma) só entrem na UE se comprovarem:
- Georreferenciamento do local de produção
- Confirmação de desmatamento zero após 31/12/2020
- Due diligence completa da cadeia
- Rastreabilidade individualizada e auditável
- Não associação a violações de direitos humanos ou conflitos fundiários
A fase de implementação plena para grandes empresas ocorre entre 2024 e 2025, com aplicação de sanções já previstas.
Esse regulamento é particularmente desafiador para o Brasil porque:
- Cadeias como a bovina possuem complexidade elevada de fornecedores indiretos (nascente → recria → engorda → abate).
- Cooperativas e pequenos produtores precisam de tecnologia para geolocalizar e comprovar origem.
- Processadores precisam entregar auditoria digital rápida, algo que muitos ainda não conseguem fazer.
EUA – Fortalecimento do Lacey Act e Programas de Conformidade
O Lacey Act passou a incluir salvaguardas ambientais e requisitos de comprovação de origem para produtos vegetais e animais. No setor de proteína e grãos, há:
- Pressão contra desmatamento associado ao gado amazônico.
- Requisitos de due diligence para importadores americanos.
- Crescimento de auditorias privadas exigidas por grandes varejistas.
Empresas que exportam para redes como Walmart, Costco e Target já relatam aumento nas exigências de CADASTROS, GEOLOCALIZAÇÃO e histórico sanitário-ambiental.
Leis de “Due Diligence” – Europa Ocidental (França, Alemanha, Noruega)
Essas leis nacionais exigem que empresas que importam matérias-primas passem a:
- Monitorar riscos socioambientais.
- Prevenir violações na cadeia de suprimentos.
- Apresentar relatórios anuais e evidências digitais.
- Ter processos de auditoria contínua e rastreabilidade ativa.
Elas não bastam por si só, mas reforçam o EUDR e aumentam a pressão por provas documentais confiáveis.
Brasil – Avanço de Leis Ambientais e Pressões Internacionais
Embora o Brasil ainda não tenha uma lei centralizadora, há três movimentos simultâneos:
1. a) Fortalecimento de sistemas e bases oficiais
- SIGEF / SNCR
- Cadastro Ambiental Rural (CAR) – exigindo maior validação
- GTA eletrônica (em expansão)
- Iniciativas de integração ministerial para rastreabilidade bovina
2. b) Pressão por integração de dados para evitar “lavagem de gado”
ONGs e compradores internacionais têm apontado que as etapas de recria e engorda são os segmentos com maior risco ambiental.
Isso está acelerando discussões sobre:
- Rastreabilidade individual obrigatória
- Integração da cadeia indireta
- Auditoria ambiental digital
1. c) Mercado puxando a regulação
Exportadores estão exigindo de produtores:
- Localização dos pastos
- Histórico CAR
- Prova de “desmatamento zero”
- Garantia de conformidade trabalhista
Ou seja: o mercado privado já está regulando antes da lei.
Onde Estão os Maiores Riscos para as Empresas
Com base nas principais auditorias globais, três pontos são críticos:
Falta de dados confiáveis dos fornecedores indiretos
A maior parte dos problemas ambientais ocorre antes da etapa de engorda ou processamento.
Fragmentação de sistemas internos
Cada etapa possui seu próprio software, planilha ou banco de dados
→ o que torna impossível auditar a cadeia de ponta a ponta.
Falta de imutabilidade
Empresas ainda dependem de:
- PDFs
- Planilhas
- Relatórios eletrônicos que podem ser alterados
- Dados sem trilha de auditoria
E para reguladores e importadores, isso não basta mais.
Blockchain como Resposta Técnica às Exigências Regulatórias
A rastreabilidade em blockchain resolve precisamente os pontos críticos das novas legislações ambientais.
Imutabilidade (o elemento mais valorizado por reguladores)
Cada evento registrado (localização, movimentação, certificação, data, auditoria, inspeção) é:
- Imutável
- Assinado digitalmente
- Rastreado por trilha de auditoria
- Integrado entre diferentes atores
Isso cumpre diretamente exigências da EUDR, do Lacey Act e das leis europeias de diligência.
Rastreabilidade de ponta a ponta
Com integração via APIs a tecnologia permite:
- Conectar produtor → indústria → processador → distribuidor → varejo
- Registrar lotes, indivíduos, fornecedores
- Georreferenciar automaticamente cada evento
Isso resolve o maior gargalo das proteínas e das commodities brasileiras.
Auditoria digital
A tecnologia permite que:
- Auditores acessem evidências imediatamente
- Empresas enviem relatórios com trilha blockchain
- Importadores recebam prova documental rapidamente
Isso reduz drasticamente o risco de sanções e embargos.
Integração com sustentabilidade e ESG
Os dados capturados permitem comprovar:
- Desmatamento zero
- Uso eficiente de recursos
- Bem-estar animal
- Conformidade trabalhista
- Práticas regenerativas
Algo cada vez mais cobrado por bancos, fundos e compradores premium.
Como a Ecotrace se posiciona dentro desse novo cenário
A Ecotrace desenvolveu um ecossistema completo de rastreabilidade e conformidade ambiental utilizando blockchain e tecnologias avançadas de dados.
A plataforma permite:
✓ Registros imutáveis de eventos da cadeia
✓ Integração direta
✓ Conexão com fornecedores
✓ Auditoria rápida para conformidade EUDR e demais regulamentos
✓ Dados estruturados para relatórios ESG e Due Diligence
A proposta da Ecotrace é transformar compliance em vantagem competitiva, reduzindo riscos regulatórios e ampliando o acesso das empresas brasileiras a mercados rigorosos e de maior valor.
Conclusão
As novas leis ambientais estão redesenhando todo o agro global!
A era da rastreabilidade declaratória acabou e começou a era da prova digital, auditável e imutável.
Empresas que se antecipam:
- reduzem riscos regulatórios,
- fortalecem sua reputação ambiental,
- conquistam mercados premium,
- ganham competitividade global.
Com a pressão crescente por transparência e responsabilidade, a rastreabilidade em blockchain se torna não apenas recomendável, mas essencial!
A Ecotrace está pronta para apoiar as empresas nessa transição, conectando tecnologia, sustentabilidade e conformidade regulatória em um único ecossistema integrado.
FONTES:
- União Europeia – EUDR
https://eur-lex.europa.eu/eli/reg/2023/1115/oj
https://environment.ec.europa.eu/topics/forests/deforestation/regulation-deforestation-free-products_en
https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/qanda_21_5919
- Farm to Fork Strategy / European Green Deal
https://food.ec.europa.eu/horizontal-topics/farm-fork-strategy_en
https://commission.europa.eu/strategy-and-policy/priorities-2019-2024/european-green-deal_en
- EUA – Lacey Act
https://www.aphis.usda.gov/aphis/ourfocus/planthealth/import-information/lacey-act
https://www.fws.gov/program/laws/lacey-act
- Leis de Due Diligence – Europa Ocidental
https://www.bmas.de/EN/Topics/company-due-diligence-in-supply-chains.html
https://www.legifrance.gouv.fr/jorf/id/JORFTEXT000034290626
https://lovdata.no/dokument/NLE/lov/2021-06-18-99
- Demais
https://www.fairr.org/engagements/deforestation/
https://forest500.org
https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/tcu-avalia-controle-de-rastreabilidade-do-gado.htm
https://www.car.gov.br
https://sigef.incra.gov.br
https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/bem-estar-animal/gta
https://corporate.walmart.com/policies
https://www.costco.com/sustainability.html
https://www.oecd.org/daf/blockchain/
https://www.fao.org/documents

