A Qualidade do Pé de Frango e Seu Impacto na Exportação

A qualidade da carne de frango é um fator determinante para a aceitação em mercados internacionais, onde padrões rigorosos precisam ser atendidos para garantir a competitividade dos produtos brasileiros. Dentre os diversos aspectos analisados, o pé de frango tem ganhado destaque, tanto por sua valorização comercial quanto por seu papel como indicador de bem-estar animal e manejo adequado.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou cerca de 200 mil toneladas de pés de frango em 2023, movimentando mais de US$ 500 milhões. O principal destino dessas exportações são países da Ásia, com destaque para China e Hong Kong, onde o pé de frango é altamente valorizado como um produto premium na gastronomia local. “A qualidade do pé de frango é um critério essencial para exportação, sendo um dos primeiros pontos analisados pelos importadores asiáticos”, explica Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Qualidade do Pé de Frango como Indicador de Bem-Estar Animal

A presença de lesões plantares nos pés do frango, frequentemente conhecidas como calos de pata, pode indicar problemas no manejo, qualidade da cama e condições ambientais dos aviários. Países com regulamentações rígidas utilizam esse indicador para avaliar as condições de criação e, consequentemente, a qualidade do produto final.

De acordo com um estudo publicado pela World’s Poultry Science Journal, a incidência de calos de pata pode estar diretamente relacionada ao tempo de permanência dos frangos em ambientes úmidos e ao tipo de substrato utilizado na cama. “A umidade elevada da cama aumenta significativamente a ocorrência de lesões, impactando tanto o bem-estar dos animais quanto a qualidade do produto destinado à exportação”, destaca Dr. João Paulo Carrijo, especialista em produção avícola.

A Importância da Detecção e das Ações Corretivas

Identificar precocemente as lesões plantares dentro do frigorífico permite a implementação de ações corretivas e preditivas. Ajustes em nutrição, ventilação e manejo da cama dos aviários podem reduzir significativamente a incidência do problema, garantindo maior conformidade com os padrões internacionais. Sem um monitoramento eficaz, lotes inteiros podem ser penalizados ou rejeitados, gerando perdas financeiras e riscos à reputação das empresas exportadoras.

O Papel da Tecnologia na Padronização da Análise

A inspeção manual da qualidade dos pés de frango é um desafio devido à subjetividade da análise e à dificuldade de inspecionar 100% do lote. Para superar essa limitação, frigoríficos têm adotado soluções baseadas em inteligência artificial, capazes de realizar uma análise integral e automática das carcaças, garantindo 99%* de assertividade na identificação de calos de pata, como é o caso da Eco IA Poultry, da Ecotrace.

Esse sistema captura imagens das carcaças em tempo real e classifica automaticamente a gravidade das lesões, gerando dados precisos e confiáveis. Essa padronização assegura que frigoríficos tomem decisões ágeis e embasadas, reduzindo perdas e garantindo conformidade com os mercados internacionais. Além disso, a análise com I.A. possibilita a identificação, impulsos para o sistema da linha e segregação imediata de frangos com lesões severas, permitindo ajustes de produção para mitigar impactos na qualidade final do produto.

Impacto Operacional e Econômico

A pododermatite também impacta no rendimento operacional das plantas de abate, uma vez que os pés de frango afetados saem da escaldagem e depena carreando sujidades para a área de evisceração, o que consequentemente demanda maior tempo para toalete. Em alguns casos, pode até resultar na condenação do pé de frango.

Aos 42 dias de idade, os pés dos frangos pesam aproximadamente 65g cada. Dessa forma, a pododermatite pode impactar significativamente o rendimento de abate e aumentar os riscos de contaminação do produto final.

As condenações nos frigoríficos:

  • aumentam os custos de mão de obra;
  • atrasam o processo industrial;
  • depreciam o valor do produto final (Lopes et al., 2012).

As empresas brasileiras têm trabalhado arduamente para reduzir seus índices de condenação ao longo dos anos, e os resultados mais recentes já se aproximam dos padrões mundiais. Sem essa melhoria, a competitividade do produto brasileiro estaria comprometida.

Conclusão

O monitoramento da qualidade do pé de frango vai além de um critério estético ou comercial; ele reflete diretamente na percepção do consumidor sobre bem-estar animal e boas práticas de criação. Com a crescente exigência dos mercados internacionais, investir em soluções tecnológicas para análise das carcaças não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade para manter o Brasil como referência global na produção e exportação de carne de frango.

A utilização de inteligência artificial e análise automatizada de 100% do lote em tempo real se consolida como um diferencial para frigoríficos que desejam assegurar padrões rigorosos de qualidade, reduzir perdas e fortalecer sua posição nos mercados mais exigentes do mundo.

*Pode haver variação conforme particularidades de cada empresa/unidade.

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